domingo, 18 de fevereiro de 2018

O Folclore, o Samba e a Intervenção Federal

A Lenda do Carnaval que fez o Governo usar o Capítulo VI da Constituição


E lá vamos nós com mais um artigo e desta vez um pouco diferente. Creio que seja oportuno falar um pouco sobre o Carnaval. Mas por que carnaval em um Blog que tem o objetivo de contar histórias com ligação com o folclore?

Vamos começar com o básico: o que é folclore? Folclore é o conjunto de tradições e manifestações populares constituído por lendas, mitos, provérbios, danças e costumes que são passados de geração em geração. Podemos citar como manifestações folclóricas as Festas Juninas, as Marujadas e o Carnaval.


Um Pouco sobre a História do Carnaval

O Carnaval no Brasil começou sua história no Período Colonial. Uma das primeiras manifestações carnavalescas foi o entrudo, uma festa de origem portuguesa que, na colônia, era praticada pelos escravos. Estes saíam pelas ruas com seus rostos pintados, jogando farinha e bolinhas de água de cheiro nas pessoas. Tais bolinhas nem sempre eram cheirosas. O entrudo era considerado ainda uma prática violenta e ofensiva, em razão dos ataques às pessoas, mas era bastante popular.

Por volta de meados do século XIX, no Rio de Janeiro, a prática do entrudo passou a ser criminalizado. Todavia, as camadas populares não desistiram de suas práticas carnavalescas surgindo os chamados cordões e ranchos, ambos ligados à população rural e a práticas religiosas usando de procissões, capoeira e tocadores de bumbos. A elite do Império começou a organizar os Bailes de Carnaval nos teatros e clubes cariocas.  As marchinhas de carnaval surgiram também no século XIX, e o nome originário mais conhecido é o de Chiquinha Gonzaga, bem como sua música O Abre-alas. 

O samba somente surgiria por volta da década de 1910, com a música Pelo Telefone, de Donga e Mauro de Almeida, tornando-se ao longo do tempo o legítimo representante musical do carnaval.
Hoje, no século XXI, milhões de pessoas vão às ruas em dezenas de cidades brasileiras fazendo do carnaval o maior espetáculo popular do mundo.


Não Subestimem as Manifestações populares

Enquanto alguns pulam e se divertem (nas ruas ou não), outros abrem sua metralhadora de protestos contra o carnaval acusando a felicidade alheia de ser a causa dos problemas sociais do país usando de frases na internet tipo: “Se as pessoas fossem para as ruas protestar contra a situação do país em lugar de se divertir, nosso Brasil seria outro!” Mas será isso verdade? Não tenho pretensão de fazer qualquer tipo de juízo político (até porque, se tem uma coisa que história nos ensina é de não ter políticos de estimação porque eles vão te morder) o que quero e acho relevante, como escritor e como artista, é de como a cultura popular não pode ser subestimada e o fato dela ter, sim, poder para mudar o rumo das coisas de uma maneira tão surpreendente quanto o roteiro de um longa-metragem.


Ato I – Entendendo a Causa (Ou boa parte dela).
Em um momento de vacas gordas, o então presidente da República Luís Inácio, o Lula, orgulhosamente trouxe para o Brasil a Copa do Mundo e as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Países mais estruturados que o Brasil acharam a ideia uma loucura, Barcelona, Londres e Grécia gastaram milhões de dólares em estrutura para cumprir um caderno insano de encargos para receber o evento das Olimpíadas e mesmo eles afundaram em dívidas e praticamente faliram. O Brasil tinha que cumprir dois cadernos, o da Copa e o Olímpico. Resumindo: ou na época o Brasil engrenava e virava uma Superpotência ou ia dar zica, o país ia se endividar, a corrupção ia escancarar e o povo é que ia pagar... Claro, dado a nossa “competência política histórico-administrativa” ficamos com a segunda opção.

Antes mesmo da Copa, antes da então Presidente Dilma terminar seu primeiro mandato, já haviam protestos nas ruas devido aos atrasos e os gastos com o primeiro evento, estádios prontos foram reformados com gastos milionários e elefantes brancos em estados sem tradição no futebol foram erguidos para a alegria dos empreiteiros de obras superfaturadas. Obras de estrutura viária duvidosas (como o viaduto da Copa que caiu em BH, ou o VLT de Cuiabá que não foi entregue, mas foi gasto). Dilma já chegou ao final do Primeiro Mandato com as finanças desorganizadas precisando de “pedaladas fiscais” para fechar as contas.

Veio então as Olimpíadas do Rio, com problemas entre a União, o Estado do Rio e a Prefeitura do Rio no cumprimento do caderno de encargos do Comitê Olímpico Internacional. Mais obras superfaturadas aconteceram, obras com engenharia duvidosa (como a ciclovia lagoa-barra), obras históricas que jamais terminaram (como a despoluição da Bahia da Guanabara). O resultado, como os países organizados previram, foi a implosão do Brasil. O Estado do Rio de Janeiro praticamente faliu, o corredor de corrupção ficou escancarado resultando do Impeachment da presidente Dilma e na posse do até então “vice decorativo” Michel Temer.

Temer chegou com a promessa de reativar a economia brasileira, com queda brusca na arrecadação de impostos devido a grande quantidade de empresas que fecharam e a alta taxa de desemprego e inflação alta. O legado que ele queria deixar no seu último ano de governo era do homem que encarou o problema da previdência social do país. Só que, com um plano ruim de correção da previdência e apoiado pelo congresso nacional mais pilantra da nossa história o que se viu foi uma série de favores financeiros sem nenhum resultado prático a não ser tornar o nosso querido “mordomo do Drácula” na figura menos confiável de todos os últimos presidentes que passaram.



Ato II – A Vingança do Carnaval
Temer, aliás, é a grande figura do momento histórico que entramos a partir do dia 16/02/2018. Ele é um cara que diz que não se importa com pesquisas do Datafolha e Ibope de popularidade, mas foi o autor da carta que demonstrou o quanto ele é orgulhoso quando era vice de Dilma Rousseff com a famosa lamentação de ser um “Vice Decorativo”. Ao seu lado está o então governador do Rio de Janeiro Pezão, que achou que conseguiria marcar no peito e sair jogando a estratégia do Cabral quando, em Abril do ano das eleições, deixou o comando do Estado com ele e se mandou literalmente depois de furtar o Estado de tal forma que hoje é um feliz morador do Complexo Penitenciário na Região Metropolitana de Curitiba. E, finalizando o trio, o prefeito que “não gosta de samba, bom sujeito não é!” Marcelo Crivela, que entre ser Prefeito do Rio de Janeiro e Bispo Evangélico, ele demonstrou que vai preferir a segunda opção.

Tudo começou em 2017, o Estado do Rio, com salários atrasados e fornecedores sem receber precisou cortar despesas e, desta forma, o Carnaval sofreu seu primeiro baque. Para o carnaval de 2018 a situação não melhoraria e ainda teve o agravante do Município, através de seu representante máximo, demonstrar reiteradas vezes o preconceito contra qualquer coisa ligada a “cultura africana satânica do carnaval”. Não adianta a boca apontar para a esquerda se suas ações são para a direita, o povo, o carnavalesco, entendeu bem o recado.

Resultado: Ratos e Vampiros dançaram em um desfile claramente de protesto na Sapucaí, Paraíso do Tuiutí e Beija-Flor de Nilópolis chegaram a constranger a Rede Globo que, por contrato, transmitiu o desfile para todo o Brasil e grande parte do mundo. A imagem do povo seguindo com a Beija-Flor no final do desfile, numa clara mensagem: “Este carnaval me representa” foi assombroso, especialmente para a classe política brasileira.



Coincidência? Eu acho que não.

Terça-feira, após os desfiles, Temer se reuniu com o governador Pezão e o Presidente da Câmara para dar partida a uma Intervenção Federal que foi autorizada na sexta, dia 16/02/2018 para o Estado do Rio de Janeiro. Um alívio para quem já se cansou da rotina de arrastões, furtos de celulares e carteiras, bandidos em carros e motos de fuzis, explosão de granadas, tiroteios e morte. Não que vá resolver o problema, mas, ao menos é uma aspirina na eterna dor de cabeça que é a segurança do Estado.

O impacto da medida extrapola o Rio de Janeiro, uma vez que a Constituição prevê que, durante uma intervenção federal, não pode haver qualquer alteração constitucional no país. Isso inviabilizaria, por exemplo, a Reforma da Previdência.

Sou de opinião que o Temer já viu que a Reforma da Previdência foi para o ralo. Que ao ver o Vampiro na passarela ele ficou bolado com o tanto de dinheiro que tem dado aos Deputados e as reformas que ele queria como legado não estão indo para frente. Ele é orgulhoso, entrou como presidente pela porta dos fundos e se não fizer nada, não deixar nenhum legado, sairá pela mesma porta que entrou.

Apenas uma coisa é certa: entre a briga de coxinhas e mortadelas, quem fez história foi o Samba. O governo teve que se mexer, porque o Samba é lendário. Fica a lição: não se deve subestimar a cultura brasileira.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Vale Expocomics edição 2018

CRESCENDO E SE CONSOLIDANDO COMO O MAIOR EVENTO GEEK DO FIM DE VERÃO EM SÃO PAULO

As cidades de Taubaté e Pindamonhangaba estarão recebendo este ano mais uma edição do evento Expocomics. O evento anual tem se consolidado no mês de março como um dos mais relevantes eventos de quadrinhos e cultura geek da atualidade sempre trazendo convidados do meio artístico, atrações como cosplays e cantores. O espaço do artista tem sido muito valorizado e existe uma política de apoio e logística que me deixou muito impressionado.

Até o momento já foram convidados os artistas Lipe Diaz, Rodney Buchemi, Bruno Honda Leite, Laudo Ferreira Jr e o Denis Mello.

Tudo correndo sem imprevistos, Tebhata e Eu estaremos neste evento na cidade de Pindamonhangaba pela primeira vez. A ideia dos organizadores é estender o foco da Nona Arte por todo o Brasil e, como quem busca consegue, está pintando aí um Super Evento.

Vamos estar na área reservada aos artistas nos dias 16, 17 e 18 no Shopping Pátio Pinda. Tupanaoca 2018 vai estar lá (Se Deus quiser)!


quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Aquilo que se Esconde nas Sombras

A Batalha nos Portões do Purgatório

Ninguém disse que lutar contra demônios desde 1710 era tarefa fácil!... Tupanaoca 2018, mais sombrio do que nunca!


segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Tupanaoca, Uma Pequena Aventura

Ms. Tebhata e seus Fantásticos Chibis

Bem que poderia ter este nome a próxima aventura de Tupanaoca, o que não deixa de ser uma verdade. Claro que a Tebhata é minha esposa, mas mais importante que isso é o talento que ela tem e o estilo próprio que desenvolveu para criar personagens. As páginas de Tupanaoca estiveram paradas por muito tempo, este ano este blog completa 5 anos em maio, ou seja, é um ano especial para mim. Quando a convidei para tentar ajudar a dar uma "arrumada" na casa e ela disse sim fiquei muito feliz, porque muitas vezes trabalhar sem alguém para tabelar junto é bastante difícil.


Depois de dois anos de convivência com os companheiros do Lipe Dias escola de desenhos posso dizer que Tupanaoca começou a tomar forma novamente. Meu traço evoluiu, apesar da arte final ainda não estar no ponto certo, mas já é possível fixar um retorno do quadrinho com base em acordos que estou firmando com companheiros do curso de desenhos, além de, é claro, a Tebhata.

Preparei para ela um roteiro que acho que se adapta bem com o estilo alegre de seu traço e espero que todos gostem quando for lançado. Temos a pretensão de colocar material no FIQ 2018, que ocorre em Maio, antes disso temos um evento em Pindamanhangaba-SP (Que aliás merece um post aqui que vou preparar em breve). Esperamos também postar as histórias em uma plataforma digital, como a Social Comics, por exemplo, mas isso ainda depende de contatos. 

Seja como for, novos trabalhos coletivos estão surgindo por aqui e em breve haverá mais um blog de quadrinhos na área (se Deus quiser!).

Agora é tirar as teias de aranha do blog e começar a trabalhar, espero que com uma intensidade tão boa quanto foi na época da Zinext. (Abraços, companheiros da Zinext, estejam onde estiverem!) A luta tem que continuar!