Projeto Tupanaoca

Já faz muitos anos desde que comecei a rascunhar este projeto. Ele começou há uns quinze anos atrás com um estudo que chamei de "O Sétimo Segredo". A ideia sempre foi de criar uma história de ação dentro do ambiente brasileiro utilizando de informações de nossas lendas e do folclore. Porém, este projeto tinha um tendão de Aquiles que acabou atrapalhando tudo: é muito difícil trabalhar com histórias no estilo novela onde se tem dezenas de capítulos interligados onde a leitura de um capítulo depende de outro.

Minha esposa, Tebhata, sempre foi uma conselheira, e porque não dizer, uma editora. Ela não gostou do "Sétimo Segredo". A justificativa é que era confuso, misturava muito ciência com tecnologia, clonagem, e outras tantas coisas. Meu desenho também era ruim e tudo isto serviu para abandonar de vez a ideia há uns cinco anos atrás. Talvez um dia eu poste aqui os três primeiros capítulos que fiz na época, só de diversão, se não se importarem com a questão dos desenhos que realmente não eram bons. 

Quando estava na Faculdade, eu, junto com meu primo Warley (o artista plástico Desalí que mora em Belo Horizonte, especialista no estilo underground), fizemos um zine chamado "Sonêm Jump". A história que escrevi para este zine chamava-se "Tupanaoca" e contava a história de um Kaapora. Era a época do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos que acontece a cada 2 anos) em BH. Foi o ano de visita do artista Frédéric Boilet em 2005, autor do mangá "Espinafre de Yukiko" pela Conrad Editora. Foi um evento especial para mim porque tive a oportunidade naquela época de conversar com dois caras que admiro muito o trabalho, o Sidney Gusman e o Daniel HDR. Também estava por lá o André Vazzios, baita desenhista, mas não consegui conversar com ele, também estavam dando palestras o Fábio Yabu, dos Combo Rangeres e o Alexandre Nagado da série "Street Fighters" da Editora Escala. O Sidney naquela época andou pelos stands do evento quase sem ser incomodado e conversou com todo mundo de forma bem informal dando dicas que guardo até hoje de como funciona o mercado editorial. Naquela época ele já havia alertado para não criar ilusões quanto a oportunidades de novos talentos serem lançados no Brasil, e dizia que quem quisesse se destacar deveria procurar o caminho do fanzine e da produção independente. Até hoje aquela conversa se mostra bem real pois o cenário realmente da produção independente se configurou, quem consegue produzir é quem coloca suas histórias em livrarias. Já Daniel HDR, na época, estava lançando a mini-série "Dungeon Crowlers" pela Editora Talismã. O Daniel deu um workshop muito maneiro de desenhos em BH e, depois do workshop, ainda foi muito simpático ao dar boas dicas de desenho para mim e o meu primo. Fiquei realmente fã daquele gaúcho como artista e pessoa, torço muito pelo sucesso dele.

Tupanaoca, traduzindo, Casa de Tupã, sempre me soou um nome legal. E, como as poucas coisas que tinha feito eram one-shots, voltei-me então na criação de um projeto com várias histórias que fecham pequenos arcos, mas que formam uma crescente dando um aspecto de saga ao mesmo tempo. Partindo desta premissa tenho rascunhado cerca de 50 episódios escritos de Tupanaoca. Nunca tive coragem de publicar antes porque sempre achei que o meu traço não era bom o suficiente. E o tempo foi passando... Passando... Já estamos em 2013 e nada! Até que há poucas semanas, o amigo Fábio Dino, criador do Projeto Folks que também retrata a idéia do folclore nacional, só que com um olhar diferente do meu, me mandou um recado através de minha esposa: "Avisa para o Fred que o traço dele nunca vai ser bom o suficiente. Quem desenha nunca acha que está bom o suficiente." E agradeço a ele muito a por este alerta, pois é a mais pura verdade. Bom, ou mal, o tempo continua passando, já não sou mais um adolescente e não tenho muito tempo para desenhar, pois minha primeira obrigação é para com meu trabalho e contas a pagar. Não há como esperar muito mais. Daí usei este período que estava desempregado (Graças a Deus, já estou de volta a ativa - um forte abraço aos amigos da Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro) para fazer o primeiro episódio de Tupanaoca da forma como apresento neste Blog.

O que eu pretendo com isso? Simplesmente contar uma história para as pessoas e deixar que elas se divirtam. Quem gosta de quadrinhos não deve ficar preso a apenas a questão financeira (Até porque eu nunca ganhei nada fazendo isso) Faço porque gosto. Uns são viciados em crack, outros em cigarros ou álcool, o meu vício é desenhar e escrever histórias. Fazer o quê? Sei que o traço está longe de ser perfeito, e que os artistas do curso de Design da UFRJ onde minha esposa estuda vão cair de pau nos meus desenhos, mas a escolha é: fazer o seu melhor ou não fazer. Cá entre nós, já não tenho mais tempo de ficar esperando um melhor momento!

Espero que quem leia a história se divirta, e espero que também se inspirem a trazer para o Brasil as histórias que criarem em suas mentes. Temos um país maravilhoso em matéria de material criativo, basta aproveitar. Torço para que apareçam outros projetos semelhantes por aí, e que tenhamos outras opções além de Folks e Salomão Ventura (que aliás, também é muito bacana.).

É isso aí, qualquer coisa é só mandar uma mensagem que responderei dentro do possível.

Abraços a todos.